Training disabled teachers in Mozambique
Para aceder à história de professor Salimo em português veja abaixo.
Erik Schurmann is the head of a teacher training college in Cabo Delgado in the north of Mozambique run by ‘Ajuda de Desenvolvimento de Povo para Povo’ (ADPP).
Mozambique has been at peace since 1992. New roads, clinics, industry and communication systems have been developed to replace those destroyed in the long civil war. Yet millions of people are still living in absolute poverty. Despite developments in education, more than a million children are still out of school because of a lack of teachers and school buildings. Class sizes average 64, and disabled children are not considered a priority for education. Erik is the head of a teacher training college in Cabo Delgado in the north of Mozambique run by ‘Ajuda de Desenvolvimento de Povo para Povo’ (ADPP). Here he reflects on the challenge of including disabled trainees in the college.
Escola de Professores do Futuro (EPF) - ‘Teacher Training Colleges for the Future’ - is one of seven colleges run by ADPP Mozambique. Since 1993, 3,000 teachers have graduated and currently more than 2,000 students are enrolled for training as primary teachers in rural schools. The course lasts 2.5 years. In addition to academic subjects, students are trained in community work: starting pre-schools, running literacy courses, constructing latrines, and campaigning against HIV/AIDS, malaria and cholera. In their final year, trainees do teaching practice and implement community projects in village schools. EPF Cabo Delgado co-operates with a disability organisation (ADEMO) which trains students in working with disabled children. It has also provided seven scholarships for disabled student teachers. Three students have graduated and are now working as teachers in the province, the rest are still in training. The disabled students improve the educational environment in the college, participate in all aspects of the programme, and demonstrate that education is for all.
Salimo’s story
Salimo enrolled as a trainee teacher at EPF in 2001. Salimo uses a wheelchair so the paths were improved to enable him to move around easily. During teaching practice, Salimo organised himself so that he could write on the blackboard and he got out of his chair and crawled across the classroom to help pupils. His community project was latrine construction.
Trainee teachers receive a salary during their practical year, but the district administration would not give him one, so Salimo began work at a school anyway. One day a Ministry of Education inspection committee unexpectedly visited the school where Salimo was teaching biology to Grade 7 pupils. The committee was impressed to see him employing active teaching and learning methods using a range of plants he had brought into class. They observed that the other teachers in the school were using traditional teaching methods, with pupils simply copying text from the board. The committee heard that Salimo was working without a contract or salary and they lobbied for him to receive payment.
At the end of his practical training the children, teachers and head teacher wanted him to return. Salimo graduated in 2003 and went with the other graduates to the provincial department of education to be given a contract. On the way out of the building he was stopped by an official who said that disabled people could not be teachers. Salimo had to return the contract. The disability organisation wrote to the provincial department on his behalf. Their response was that special conditions could not be provided for disabled teachers.
As head of the college, I met with the head of employment at the provincial department. He argued that Salimo did not have the necessary documents, which was not true. He also argued that they could not provide special working conditions for Salimo. I explained that he did not need or want any ‘special conditions’! Finally Salimo was re-issued with a contract and now works at the school where he did his training. If such attitudes and traditions are to change, we need role models for new (and older) generations to follow. EPF Cabo Delgado aims to continue educating more disabled people - with the help of sponsorship from organisations and individuals - so that more disabled people can work as educators. If we are to achieve education for all, we need well-trained teachers to teach future generations. The college is currently seeking sponsorship for two disabled trainee teachers. If you can offer assistance, please contact {encode="dnscabo@teledata.mz" title="Erik"}.
This post was originally published by Enabling Education Network (EENET).
Formação de professores com deficiência em Moçambique
Moçambique vive em paz desde 1992. Têm sido construídas novas estradas, hospitais, indústrias e sistemas de comunicação para substituir as que foram destruídas durante a longa guerra civil. No entanto, actualmente, milhões de pessoas vivem ainda na mais absoluta pobreza. Apesar dos avanços na educação, mais de um milhão de crianças não frequenta a escola devido a falta de professores e de edifícios escolares. As turmas têm, em média, alunos, e as crianças com deficiência não são consideradas uma prioridade para a educação. Erik é o director de uma escola de formação de professores em Cabo Delgado, no Norte de Moçambique, da responsabilidade da “Ajuda de Desenvolvimento de Povo para Povo”(ADPP). Aqui, ele analisa o desafio que consiste em incluir alunos com deficiência na Faculdade.
A Escola de Professores do Futuro (EPF) é uma das 7 escolas geridas pela ADPP de Moçambique. Desde 1993, 3.000 professores tiraram o seu curso e actualmente mais de 2.000 alunos frequentam o curso de professores do 1º ciclo de escolas rurais. O curso dura 2 anos e meio. Além das disciplinas académicas, os alunos recebem formação em trabalho comunitário: criar Jardins de Infância, organizar cursos de alfabetização, construir de casas de banho e desenvolver campanhas contra o VHI/SIDA, malária e cólera. No seu último ano, os alunos fazem um estágio prático e desenvolvem projectos comunitários nas escolas de aldeia.
A EPF de Cabo Delgado colabora com a organização ligada à deficiência (ADEMO) que forma alunos para trabalhar com crianças com deficiência. Além disso, disponibilizou sete bolsas de estudo para alunos (futuros professores) com deficiência. Três dos alunos já finalizaram o curso e estão agora a trabalhar como professores na província; os restantes estão ainda em formação. Os alunos com deficiência melhoram o ambiente educativo da escola, participam em todos as componentes do programa e demonstram que a educação é para todos.
A estória de Salimo
Salimo ingressou como aluno na EPF em 2001. Utiliza uma cadeira de rodas, pelo que os acessos foram melhorados para lhe possibilitar maior mobilidade. Durante a prática pedagógica, Salimo foi capaz de se organizar de forma a poder escrever no quadro e era capaz de sair da cadeira e arrastar-se pela sala de aula para ajudar os alunos. O seu projecto comunitário foi a construção de casas de banho.
Os formandos recebem um salário durante o ano de estágio, mas a administração do distrito não lhes pagou. Apesar disso, Salimo começou a trabalhar numa escola. Um dia, um grupo de inspectores do Ministério da Educação visitou sem aviso a escola onde Salimo estava a ensinar biologia a alunos do 7º ano. O grupo de inspectores ficou impressionado ao verificar que o professor utilizava métodos de aprendizagem e ensino activos, recorrendo a um conjunto de plantas que ele tinha trazido para a sala de aula. Eles verificaram que os outros professores da escola utilizavam métodos tradicionais, com os alunos a copiarem simplesmente o texto do quadro. O grupo de inspectores teve conhecimento que Salimo estava a trabalhar sem contrato ou salário e moveram a sua influência para passar a ser pago.
No final do período de estágio, as crianças, os professores e o director da escola queriam que ele continuasse na escola. Salimo concluiu o curso em 2003 e foi, com os outros finalistas, ao departamento provincial de educação para lhe ser feito um contracto. No caminho de saída do edifício foi abordado por um funcionário que lhe disse que as pessoas com deficiência não podiam exercer a actividade de professor. Salimo teve de devolver o contracto. A organização de apoio às pessoas com deficiência escreveu ao departamento provincial, intercedendo por ele. A sua resposta foi no sentido de que não era possível dar condições especiais para professores com deficiência.
Como director da Escola, encontrei-me com o director de emprego no departamento provincial. Ele argumentou que Salimo não tinha os documentos necessários, o que não era verdade. Também argumentou que eles não lhe podiam dar condições de trabalho especiais. Eu expliquei que ele não necessitava nem queria nenhumas “condições especiais”! Por fim, Salimo foi readmitido com um contracto e agora trabalha na escola onde fez o estágio de formação.
Se queremos mudar estas atitudes e tradições, necessitamos de ter modelos de referência para que a geração dos novos (e dos mais velhos) os possam seguir. A EPF de Cabo Delgado pretende continuar a formar mais pessoas com deficiência – com a ajuda e patrocínio das organizações e pessoas individuais – de forma a que estas possam trabalhar como professores. Se pretendemos uma educação para todos, necessitamos de professores bem formados para ensinar as futuras gerações.
Se conhece ou se já passou por uma situação semelhante à descrita pelo professor Salimo, partilhe connosco a sua opinião.

Leave a Comment
If you would like to leave a comment please login or join!